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São Tomé e Príncipe in between:_ ___/ english / français
Um novo interstício em África _
Adelaide Ginga
Sempre me convenci que tenho uma ligação a África. A etimologia do meu
apelido assim me fez acreditar. Nos últimos tempos, um afortunado
contacto crescente com vários países africanos, de Marrocos ao Senegal,
passando por Cabo Verde, Angola ou Mauritânia, permitiu-me confirmar essa
afinidade. Por isso, quando fui convidada para comissariar a Bienal
de São Tomé e Príncipe, fiquei tão surpresa quanto contente. Todavia,
colocavam-se inúmeras interrogações à sua viabilidade e realização
na perspectiva de uma reformulação que lhe conferisse pertinência e dimensão
a nível nacional internacional.
No meu contacto com África, tomei conhecimento de alguma criação artística
contemporânea local, mas principalmente fui-me apercebendo do número crescente
de artistas de origem africana que na diáspora se afirmam no domínio da arte
contemporânea no território euro-americano, onde desenvolvem um percurso
internacional de relevo. Muitos através da participação em Bienais,
que actualmente crescem em número pelo mundo inteiro1.
Conhecidos no mundo ocidental onde atingem consagração profissional, são em grande
número ignorados no continente de onde são naturais, por vezes mal conhecidos
no seu próprio país. Ser artista contemporâneo não depende da nacionalidade,
nem implica ligação ao local de origem. Mas, se esta asserção contém em si mesma
uma proposta de desterritorialização, não é menos assertivo que as diásporas
permitem aos criadores uma visão do mundo alargada e enriquecida. Para John
Peffer que evoca as críticas de Mercer e de Gilroy, “A arte deles é duplamente
privilegiada e duplamente sobrecarregada. A sua condição de transnacionais
dá-lhes um melhor acesso às estruturas internacionais de formação e de exposição,
e também vêem em dois mundos, à maneira há muito proposta por Du Bois.”2
Se a utilização de suportes de criação artística comuns e a partilha
de um pensamento teórico e de uma actualidade de carácter internacional
(de predomínio ocidental) podem não marcar diferença, as referências,
as preocupações, as interpretações dos criadores da diáspora trazem novidade
ao mundo ocidental.
A realidade do continente africano no domínio dos acontecimentos culturais
e das mostras de artes visuais é penosa face ao número de eventos
que se desenvolvem todos os dias no resto do mundo. Com o termo da Bienal
de Joanesburgo, a criação de uma Trienal em Luanda como um projecto de autor
numa abordagem político-social e a perenidade da Bienal de Dakar, apenas
acessível à participação de artistas de origem africana, confirma-se em África
uma escassez de eventos de continuidade no domínio da arte contemporânea
e uma aridez na dinâmica cultural que promova o encontro com outras culturas.
Uma África que, continua, ao olhos do ocidente, a ser protagonista apenas
de crises e abstrusidades políticas, sociais e económicas, ou de curiosidades
naturais e artísticas, enquanto o diálogo e o crescimento cultural
dos seus autores e criadores se processa, em regra, fora do mundo africano.
Há necessidade de um crescimento cultural em África. Esse é um caminho importante
para o desenvolvimento. E isso só é possível pela partilha, nunca por um processo
de isolamento. O benefício que o ocidente tem vindo a usufruir com a crescente
partilha cultural sediada no seu território, deve ter reverso. Como lembrou
Rasheed Araeen, é uma constante necessidade a “deslocação histórica desde o centro
da cultura dominante para a sua periferia de modo a considerar o centro
criticamente”3.
Perante a apreciação do panorama geral, importava avançar na avaliação
da especificidade do território geográfico em que se insere São Tomé e Príncipe.
São Tomé e Príncipe, apresenta-se como um espaço singular. Privilegiado
na sua beleza natural, estas pequenas ilhas geograficamente situadas “no meio
do mundo”, foram um importante entreposto de escravos estrategicamente situado
nas rotas de ligação à América e à Europa. Culturalmente vista como uma manta
de retalhos, recebeu influências culturais dos mais diversos países, como Angola,
Cabo Verde, Brasil, Benim, Portugal, etc.
É incontestável que a arte é uma forma de relacionamento com o mundo,
de compreensão da realidade e um exercício do pensamento, fruto de um determinado
contexto.
Em São Tomé existe um pequeno grupo de artistas activos na criação de arte
contemporânea com potencial para ser desenvolvido, que precisam de ultrapassar
o duplo isolamento de um país insular em África. Quando o conceito Bienal intensificou
voos migratórios pelo mundo, houve quem atrevidamente agarrasse esse sopro para iniciar
um percurso cultural no seu país.
Em 1995, teve lugar a primeira Bienal de São Tomé e Príncipe4. Este estímulo,
que durante sete anos voltou a ganhar carácter de utopia, conheceu em 2002 nova
concretização. Desde então, com mais ou menos dificuldades, a continuidade
do evento contribui para a vinda a São Tomé e Príncipe de formadores estrangeiros
no campo das artes visuais, teatro e dança, para o surgimento de uma nova geração
de criadores e para a ida de artistas santomenses para Portugal, Senegal e França,
em residência artística. Ao longo de quatro edições, a Bienal de São Tomé e Príncipe
fez um percurso importante, ajudou a manter em actividade um conjunto de artistas
locais e permitiu um intercâmbio com o exterior.
Porém, para poder continuar a ter a ambição de atingir mais pessoas e outros públicos
precisava de ser pensada e equacionada. O trabalho de reflexão que foi feito, confere
à Bienal uma nova orientação com solidez para prosseguir o caminho de continuar
a realizar uma iniciativa cultural regular, com uma posição válida no panorama
internacional, fundada em coincidência com a expressão de Ivo Mesquita, “na
singularidade da sua origem”: a de entreposto cultural, espaço de passagem
e de encontro, de novidade e de partilha.
À legitimação histórica deste local de trânsito de escravos, de miscegenação de povos,
de efectivo espaço de multiculturalidade e de hibridismo, aglutinaram-se outros
factores contemporâneos: a sua inscrição na África Ocidental, uma das regiões
de maior demanda quando analisamos a diáspora africana na arte contemporânea
e sua consequente articulação com o espaço euro-americano, e a ligação de maior
especificidade à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa co mo possibilidade
de accionar rotas de ligação com Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné, Brasil,
Portugal e até Timor Leste, fortalecendo o conhecimento e a partilha entre
os países da CPLP em que São Tomé e Príncipe se integra. Factores pertinentes
que validaram o diagnóstico do terreno como elegível a entreposto cultural,
um território intersticial, um “espaço entre” para explorar novos valores como
nos diz Homi Bhabha:
What is theoretically innovative, and politically crucial, is the need to think
beyond
narratives of originary and initial subjectivities and to focus on those
moments
or processes that are produced in the articulation of cultural differences.
These
‘in-between’-spaces provide the terrain for elaborating strategies
of selfhood – singular
or communal – that initiate new signs of identity, and innovative
sites of collaboration,
and contestation, in the act of defining the idea of society
itself. (Bhabha, 1994: 1f.)
Confirmados o interesse e a pertinência em dar continuidade a este evento, a Bienal
de São Tomé e Príncipe de 2008 afirma um momento de viragem, reflexão e redimensionamento
dos seus objectivos e ambições. Esta edição, que é a primeira de uma nova etapa,
define uma filosofia com base num modelo de selecção curatorial dos artistas
participantes em função do contexto geográfico (origem, nacionalidade, residência),
do percurso artístico e do tema central, sem obrigatoriedade de representação nacional,
nem pretensões totalizantes. O devir desta “bienal em construção” assume na sua V
edição um perfil laboratorial, que pretende estimular a vertente de residência
artística de criação e de workshop de formação local.
A partir deste ano, a Bienal passa, em cada edição, a organizar-se no esteio
de uma questão que contribua para estimular a reflexão e o diálogo. “Partilhar
Territórios” é a proposta para 2008. Território, enquanto espaço geográfico,
institucional e político, mas também como conceito de identidade cultural, individual
ou de grupo, sinónimo de património conquistado. Partilhar, enquanto caminho
profícuo para espalhar o conhecimento e promover, através dessa acção, a comunicação
de imagens, fronteiras, identidades, num crescente processo de valorização substantiva.
Deleuze abordou teoricamente a potencialidade das imagens, reforçando que os ganhos
de sentido se organizam quando duas imagens geram uma “superfície de contacto”.
«Pensar é experimentar, é problematizar. O saber, o poder e o si são a tripla raiz
de uma problematização do pensamento. E, para começar, naquilo que decorre do saber
enquanto problema, pensar é ver e é falar, mas pensar faz-se no entre-dois,
no interstício ou na disjunção do ver e do falar.»5. É neste interstício que acontecem
inesperados momentos de partilha, de fusão de denominadores vernaculares e consequente
surgimento de novos territórios.
Programa
A programação da Bienal de 2008 foi estruturada em torno de uma exposição de arte
contemporânea que reúne trabalhos de artistas consagrados internacionalmente, criadores
com consolidado percurso dentro e fora do seu país, jovens artistas que conquistam
reconhecimento internacional, a par dos artistas santomenses que evidenciam potencialidade
de se integrarem no conjunto. Uma selecção de cerca de 30 artistas que desenham nesta
mostra colectiva a constelação cartográfica anteriormente definida, na qual o Brasil
assume papel de destaque.
País com profunda influência africana, associado aos clichés do exotismo
e da sensorialidade, o Brasil ultrapassou possíveis limitações geradas pelos
seus estereótipos e inscreveu-se no panorama da arte contemporânea internacional de forma
inequívoca, quer pelo desenvolvimento da acção cultural em articulação com o exterior,
quer pelo crescimento da cena artística nacional e do número de novos criadores
que aprenderam a trabalhar as especificidades do seu contexto e a valorizar
singularidades em linguagens que assumiram dimensão universal.
A Bienal de São Tomé e Príncipe conta com obras singulares de Lygia Pape (Tteia
e But I Fly) e Nelson Leirner (Mapa), artistas ímpares na definição da contemporaneidade
artística, e uma consequente aposta na nova geração de artistas brasileiros que intervém
no campo expandido da arte, à escala global, no vasto território do mundo: Raul Mourão,
José Spaniol e Rosana Ricalde (artista em residência).
A cartografia foi sendo ampliada, ganhou terreno e integrou artistas de grande proeminência
no contexto internacional.
Barthélemy Toguo, camaronês residente em França é um dos nomes de destaque da diáspora
africana na Europa. Aceitou o convite para realizar in situ uma instalação que aborda
o ilusório sonho da terra prometida que se desmorona em realidades funestas, devido
à crueza na relação entre dois mundos com fronteiras acentuadas, Europa e África.
Por seu turno, Dominique Zinkpé, do Benim, desloca-se a São Tomé para apresentar
uma escultura em que ganha corpo a ironia crítica ao capitalismo e à globalização,
e um conjunto de desenhos que dá expressão emocional à violência. Soly Cissé, do Senegal
ou António Ole, de Angola, são outros artistas que enriquecem os diálogos da presença
africana na Bienal.
Ângela Ferreira, portuguesa, nascida em Moçambique, que durante anos residiu na África
do Sul, é uma das mais importantes presenças (grande sensação da Bienal de Veneza de 2007).
A sua vivência “multi-territorial” permitiu-lhe desenvolver uma postura pioneira
no discurso político e eloquentemente crítico ao fenómeno pós-colonial, com enfoque
nas tensões entre as diferentes perspectivas da realidade ocidental e africana,
e dos seus cruzamentos, de que é exemplo o tríptico de fotografias “Casa de Colonos”
apresentado na Bienal.
“Revelaciones”, vídeo seleccionado do catalão Ignasi Aballí, aborda a questão do tempo
e espaço no registo fotográfico de viagens, da partilha dessa propriedade privada
que passa a registo comum.
O conceito “Partilhar territórios”, proposta de partida para esta bienal, expande-se
igualmente ao plano da crítica social e política, nos trabalhos de artistas
como os portugueses Miguel Palma e João Tabarra, e a espanhola Pílar Albarrancín.
Novos encontros e derivas trouxeram também à participação nesta Bienal outras revelações
internacionais no campo das artes, como Gerard Quénum, do Benim, Jorge Dias, de Moçambique,
Tiago Borges e Yonamine de Angola, e Eva Bensasson, do Reino Unido.
Atenção especial merecem os artistas em residência artística com criações in loco,
que reforçam a programação da Bienal com projectos individuais mas igualmente
de reunião e partilha em acções de formação. É o caso de Inês Gonçalves, fotógrafa
portuguesa, e Kiluanje Liberdade, angolano, que, num projecto conjunto, ao longo
de quase cerca de seis semanas, realizaram um trabalho fotográfico e um vídeo sobre
o Tchiloli (manifestação tradicional artística na área das artes performativas
que prepara a candidatura à Unesco para património mundial). Igualmente de Portugal,
Rodrigo Oliveira que reinventa “territórios” de linguagens, na sua exploração de
materiais, superfícies e adaptações a códigos ou funcionalidades e, Eduardo Malé
(natural de São Tomé), com um projecto escultórico que recorre a materiais orgânicos
locais e trabalha as resistências e tensões impostas pela natureza. Do Brasil, veio
Rosana Ricalde, para, durante um mês, realizar também um novo trabalho.
Significativa é a presença de artistas de São Tomé representados na Bienal, não apenas
nas Oficinas, novo espaço conquistado , mas também na galeria Teia d’Arte, importante
espaço fundador desta nova geração de artistas. Este é um facto que não pode passar
despercebido e que legitima a possibilidade de futuro da cultura artística do país.
Impõem-se, por isso, um investimento gradativo de aposta na formação, na sustentabilidade
dos circuitos expositivos, na efectivação de troca de experiências
e na internacionalização da arte santomense.
Paralelamente às exposição de arte, a programação paralela reforça o seu compromisso
cultural num Fórum de debate sobre “Cultura e Desenvolvimento”, com a presença
de personalidades destacadas, nacionais e internacionais. Duas exposições de carácter
histórico, reabilitador da memória, para assinalar os 40 anos sobre a residência fixa
em São Tomé imposta a Mário Soares pelo regime salazarista; e um conjunto de fotografias
do acervo do Instituto Valle Flor7, sobre São Tomé nos finais do século XIX início
do século XX. A acrescer ainda um ciclo de cinema de língua portuguesa, documental
e de ficção.
Esta é a programação inaugural do novo modelo da Bienal que, na verdade, se assume como
o primeiro momento de um projecto em duas etapas. O compromisso de curadoria foi assumido
para duas edições, tempo que considero necessário para formatar um novo certame
que cumpra os seus ideais e os seus objectivos à luz da modernidade actuante. Espero
que em 2010 a Bienal de SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE seja uma referência no continente africano,
que ganhe eco noutros destinos e se afirme como um verdadeiro entreposto no encontro
de culturas de todas as latitudes.
Agradecimentos
O enorme esforço na reformulação da Bienal de SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE e a exigência
na concretização desta nova etapa, só foi possível graças à colaboração de variadas
pessoas. Não é possível mencionar aqui todos os nomes que gostaria de registar,
mas sei que não duvidam da sua inscrição neste contexto. A minha total gratidão
aos que acreditaram e viabilizaram este projecto, e me ajudaram de forma inequívoca
na minha função de curadora.
Há no entanto, algumas quatro pessoas que não posso deixar de referir. Antes
de mais, gostaria de agradecer ao João Carlos Silva pelo convite que me fez para
assumir a curadoria da Bienal de São Tomé e Príncipe nas edições de 2008 e 2010,
mas principalmente pela confiança, pelo entusiasmo e pela cumplicidade que evidenciou
em todos o momentos.
À Marta Mestre, amiga e companheira de “aventuras” que, mais uma vez, acreditou em mim
e aceitou o desafio “sem rede” para se entregar com enorme empenho a este trabalho.
O seu espírito de equipa, a sua boa disposição e o seu profissionalismo merecem
o meu profundo agradecimento.
Quero também realçar o contributo de Henrique Cayatte que abraçou esta iniciativa
o primeiro momento com dedicação e saber.
Como, por hábito, guardo para o fim o que me é mais importante, as minhas últimas
palavras são para Emídio Rangel. A ti, um obrigado muito, muito especial pela partilha,
pelo incondicional apoio e pelo contributo decisivo dado a este projecto.
......................
1 Estamos na era das Bienais, são inúmeras pelo mundo fora. Há bienais em todos
os
continente, mas também trienais e quadrienais. Variantes e modelos para todos
os gostos. A tal ponto, que se questiona se este não é um modelo esgotado
e se organiza, numa das Bienais, a deste ano em São Paulo, uma edição dedicada
à análise e reflexão das bienais internacionais.
2 John Peffer, “A Dáspora como Objecto (Parte 2)” in Laurie Ann Farrell (ed.), Looking
Both Ways. Art of the Contemporary African Diaspora, Nova Iorque, Museum for African
Art, 2003.
3 Rashed Araeen, “Why Third Text?”, cit. in, José António B. Fernandes Dias,
“Pós-colonialismo nas Artes Visuais ou Talvez Não”, Portugal não é um país pequeno.
Contar
o “império” na pós-colonialidade, org. Manuela Ribeiro Sanches, Lisboa,
Cotovia, 2006, p. 321.
4 João Carlos Silva, realizou a primeira edição da Bienal numa roça, em São João
de Angolares, fora da capital, onde reuniu cerca de 30 participantes, incluindo quatro
artistas que há mais uma década se mantêm em actividade e que integram a presente
edição. Em 2002, João Carlos Silva fundou o CIAC-Centro Internacional de Arte
e Cultura, abriu a galeria Teia d’@rte , e retomou realização da Bienal que
não voltou a sofrer interrupções.
5 Giles Deleuze, Foucault, Lisboa, Vega, 1998.
6 Para acolher a exposição colectiva internacional, a Bienal tem agora um novo palco,
a Antiga Oficina de Obras Públicas . Realizada a recuperação deste local e a sua adaptação
a uma exposição de arte contemporânea, as Oficinas, com cerca de 2.100 m2 conferem
à Bienal uma dimensão espacial até então desconhecida e tornam-se no seu espaço axial.
7 Há mais de meio século que o IMVF desenvolve um trabalho na área da investigação
científica , da educação, bem como da cooperação e da ajuda humanitária de emergência.
Presente em todos os países de língua oficial portuguesa, tem uma papel especialmente
importante na Ilha de S. Tomé na que respeita à melhoria das condições sócio-económicas
e de saúde.
[Adelaide Ginga é Curadora da V Bienal de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe]
© CIAC - Centro Internacional de Arte e Cultura
